Renata Pitombo

Renata Pitombo | Foto: internet
Renata Pitombo | Foto: internet

Em entrevista concedida, por email, ao Cor & EstiloRenata Pitombo, professora da UFRB e autora dos livros Os sentidos da moda (2005) e A sagração da aparência (2011), fala sobre moda afro-afro e identidade.

Cor & Estilo | Qual a relação entre moda e identidade?

Renata Pitombo | A moda é uma das primeiras e mais fáceis formas de expressão. Assim, as pessoas se inserem ou não em determinados grupos, padrões de comportamento, etc. Como se sabe, você pode escolher ser reconhecido por alguns grupos e não por outros. Pode querer chamar bastante atenção, se diferenciando do que está nas ruas e nas vitrines, criando sua própria moda e modo de se vestir. Além disso, a moda sempre revelará algo que diz respeito a certa comunidade, a uma certa cultura. Assim, a moda pode ser uma forma de afirmação identitária.

Cor & Estilo | Usar a moda afro é uma forma de afirmar-se ?

Renata Pitombo |  A moda afro pode ser sim uma forma de afirmação da identidade negra. Uma vez que estará atualizando certos valores, certas condutas, certos modos de vida que reenviam à negritude, através da plasmação das formas, das cores etc. Mas não só. Estas mesmas formas e cores, bem como texturas podem seduzir alguém a usá-las independentemente da sua vinculação com a identidade negra. Se for uma peça de roupa bela, com um bom caimento e confortável, ela pode transcender essa relação identitária e se impor pela sua beleza e êxito.

Cor & Estilo | O uso da moda afro por pessoas de pele branca pode ser entendido como afirmação identitária?

Renata Pitombo |  Acredito que sim, mas não só. Uma pessoa de pele branca pode ostentar uma roupa ‘afro’ por se sentir identificada com a identidade negra, por reverenciar seus hábitos, seus gostos, seu modo de vida, enfim. Mas também pode usar uma roupa com motivos afros porque ela é bela, atraente, confortável. O trabalho feito por Goya Lopes, por exemplo, me parece exemplificar esses dois modos possíveis de adoção da vestimenta com referências afro-brasileiras, como a própria estilista faz questão de destacar. De algum modo, suas peças evocam um imaginário da cultura africana, ressignificada, mas elas também são peças belas, com uma boa modelagem, com uma criatividade plástica que encantam.

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